A Ilusão da Roda da Fortuna
04/12/2008
Então, há dois problemas neste esquema que o destinam a um fracasso inevitável. Um deles é a possibilidade de dar o dinheiro proposto e não receber a quantia “multiplicada”, nem o que foi empregado de volta. Afinal, não há uma pessoa que se responsabilize por isso, portanto, não há a quem cobrar. E o outro problema é a possibilidade de lucrar sim, mas lesando outros. Isto é crime (art. 2º, inc. IX, Lei 1521/51). Mas, seria difícil a condenação de quem comete esse delito através desta prática, entretanto, não é porque não se cumpre a pena que isto deixa de ser uma prática criminosa.
“Mas, se a roda não acabar nunca, não existe este risco” é o que afirmam os que, agindo ou não de má-fe, aliciam outras pessoas para o grupo. Então, a réplica é: qual é a probabilidade de este jogo não acabar nunca? Simplesmente, 0%. Afinal, mesmo que se acredite na eternidade, a maioria esmagadora das religiões e seitas propaga a fé numa vida eterna em que não se encontra espaço para jogos de tão baixo calão como esse. Então, pensemos racionalmente: não há chances do jogo durar eternamente, portanto, se esta é uma condição para ele dar certo, ele está obviamente fadado ao insucesso.
Se você tem dúvidas ainda, vamos provar matematicamente que a probabilidade de lucrar com esse jogo é de 12,5% enquanto a de perder o dinheiro investido é de 87,5%. Para isso, entenda com funciona o jogo.
O esquema, em geral, se desenrola assim: cada pessoa dá R$ 100,00 com a promessa de receber R$ 800,00 depois. Mas, este dinheiro angariado no grupo inicial não se reproduz e tem crias, nem muito menos se multiplica milagrosamente por meio de um poder divino como os peixes e pães multiplicados por Jesus segundo a Bíblia.
Então como uma pessoa que investiu R$ 100,00 no grupo recebe de volta R$ 800,00?
A cada 8 pessoas que entram no grupo com essa quantia, se consegue dinheiro para pagar uma (100 x 8 = 800).
Isto quer dizer que quem ganha neste esquema representa somente 12,5% do total de indivíduos que investiram R$ 100,00. Acompanhe este raciocínio em que se utiliza a regra de três para comprovar esse dado:
Cada integrante tem que indicar dois novos participantes que farão o mesmo que foi explicado anteriormente. Assim, se 8 pessoas indicarem 2 (como deve ser feito para que “a roda gire”), o grupo passará a contar com mais 16 pessoas (8 x 2 = 16), somando no total 24 integrantes (8 + 16 = 24).
Com o saldo do que foi arrecado em virtude dos que entraram, se terá R$ 1600,00 (16 x 100). Isto será suficiente para pagar apenas mais 2 pessoas (1600 : 800 = 2). Lembrando que uma pessoa já foi paga, contando com mais essas duas que receberão o valor prometido então, haverá 3 pessoas com seus R$ 800,00 em mãos. Enquanto isso, o número dos que estão a esperar já será de 21 pessoas.
Com isso, no fim de mais uma rodada, o número de ganhadores do valor que todos receberiam representa 12,5% dos envolvidos. Acompanhe este raciocínio em que se utiliza a regra de três para comprovar esse dado novamente:
Encerra-se outra rodada e, mais uma vez, o número de ganhadores do valor que todos receberiam representa 12,5% dos participantes. Acompanhe este raciocínio em que se utiliza a regra de três para comprovar esse dado:
Obs. 1: O ciclo da roda envolve 15 pessoas, entretanto, como para que um ganhe é necessário um ciclo de 8 pessoas. Por isso, os cálculos foram baseados em 8 e não em 15. Mas, isto não interfere na probabilidade de ganhar ou perder a quantia empregada.
Obs. 2: Em momento nenhum, se afirma que todos que entraram no esquema, agiam de má-fe e tinham consciência de que estariam lesando outros (mas, a partir de agora, quem leu, sabe).
Obs. 3: Se ainda assim você quer ganhar dinheiro fácil, jogue na loteria! Neste esquema, pelo menos, ninguém é enganado, e todos sabem das suas ínfimas chances de ganhar. É mais honesto!
POR AMANDA DINUCCI
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